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Para economistas, contratações devem ganhar velocidade no segundo semestre

Segunda, 03 Abril 2017
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O economista Thiago Xavier, da consultoria Tendências, avalia que a criação de 35,6 mil vagas de trabalho em fevereiro — o primeiro saldo positivo depois de 22 meses seguidos em que a economia só perdeu postos — reforça a visão de que o ciclo de ajustes no mercado de trabalho está perdendo força.

 

Entretanto, ainda que tenham menor intensidade, esses ajustes continuam, segundo o economista, ao apontar que o saldo do mês passado foi puxado por efeitos sazonais. Se retirada essa influência, a Tendências estima que 61 mil postos foram extintos em fevereiro. O saldo sem os efeitos sazonais — que não é uma conta do governo, mas sim da consultoria — tem sido negativo desde outubro de 2014, com exceção de dezembro passado, observa Xavier.

— O resultado de fevereiro mostra uma melhora, mas uma melhora limitada — avalia o economista. 

Para ele, a influência sazonal pode estar por trás, principalmente, do desempenho do setor de serviços, que puxou o resultado de fevereiro com a criação de 50,6 mil postos. Só no subsetor de ensino, foram 35,5 mil novos postos, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quinta-feira, 16, pelo Ministério do Trabalho.

Conforme as previsões da Tendências, as contratações devem ganhar velocidade no segundo semestre, acompanhando a melhora da atividade econômica. A expectativa da consultoria é que 600 mil vagas sejam criadas no ano. Ainda assim, Xavier lembra que o desempenho será insuficiente para compensar os 3 milhões de postos perdidos nos últimos dois anos.

O saldo em fevereiro foi surpreendente, mas o movimento não deve se repetir em março, avalia o economista Luiz Castelli, da GO Associados. Para ele, a criação de novos postos de trabalho no país deve ocorrer de forma sustentada apenas no segundo trimestre.

— Provavelmente em março devemos voltar a ter um número negativo, devolvendo uma parte do resultado de fevereiro. De forma sustentada, acredito que a geração de empregos ocorra a partir de abril — afirmou em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Para o resultado fechado de 2017, o economista projeta um saldo positivo de 150 mil vagas. Já a recuperação do mercado de trabalho aos níveis de 2014, na avaliação de Castelli, ainda deve demorar alguns anos. 

— Foram fechados 2,8 milhões de postos de trabalho entre 2015 e 2016. Com o estoque atual de 38,515 milhões de vagas, o Brasil só deve chegar aos 41 milhões de empregos em 2020 — afirma.

Fonte: zh.clicrbs.com.br (via Estadão Conteúdo)

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